Foto de Pe. Américo de Novaes

Ficha individual

Pe. Américo de Novaes

de Novaes Americus

Sacerdote

Biografia

Padre Américo de Novaes nasceu em Cabrobó (PE), em 15 de fevereiro de 1862. Ainda jovem escolheu uma vida inteira de estudo e serviço religioso: ingressou em 6 de julho de 1889 na Companhia de Jesus e, já nos primeiros anos da década de 1890, está no 3º ano de Filosofia em 1891, ao mesmo tempo em que começa a assumir tarefas de confiança.

Em 1892, no Instituto Particular “das Termas”, em Roma (Piazza delle Terme), ele já era prefeito do internato e presidente da Academia Lusitana no Colégio Americano. Dois anos depois, em 1894, sua ficha se adensa no Colégio Pio Latino-Americano: além de monitor de Filosofia, Américo atuava como coadjutor e confessor no Seminário dos Santos Ambrósio e Carlos, e ainda era professor de língua portuguesa, um perfil de religioso que se move com naturalidade entre sala de aula, direção de comunidade e cuidado espiritual.

Em 1896, ele figura no Catálogo da Província Romana como “recém-chegado”, e é justamente nesse período que seu nome aparece associado a uma conferência marcante: em 6 de agosto de 1896, em São Paulo, apresentou uma exposição sobre o método de catequese e ensino dos indígenas usado pelos jesuítas e sobre as pregações e peregrinações de Anchieta, tema que depois integra o volume do III Centenário de José de Anchieta, publicado em 1900, onde ele é creditado. Essa faceta “intelectual-pastoral”, de pensar a história, ensinar e pregar, vai acompanhá-lo até o fim.

No Brasil, o começo do século XX encontra Américo no Colégio Anchieta, em Nova Friburgo. Em 1899 ele está em recolhimento/estudos de Teologia, mas já cumpre funções muito práticas: prefeito da Congregação Mariana, prefeito da sacristia, confessor e consultor da casa. Em 1900, vira prefeito espiritual dos alunos, mantém a prefeitura da Congregação, faz exortações e exerce o papel de leitor à mesa. Nesse mesmo ano, fora do ambiente escolar estrito, seu nome surge em jornal como pregador capaz de prender a atenção do público: ele encerra uma série de conferências na Igreja do Sagrado Coração de Jesus, elogiado por explicar “admiravelmente” a parábola do filho pródigo, sinal de que sua palavra, além de instruída, era comunicativa e pastoralmente persuasiva.

Em 1901, Américo está fora do Brasil, na Província Napolitana, em S. Luigi – Posillipo – Napoli, em recolhimento/teologia. Em 1902, reaparece como “recém-chegado da Europa”. A partir de 1903, fixa-se no Rio: na Residência de Santo Inácio (Rua Senador Vergueiro, 35), atua como confessor no templo e à porta, expressão que, no vocabulário interno de casas religiosas e colégios, costuma indicar disponibilidade constante para acolher pessoas e atendimentos de confissões fora do horário estipulado de confessionário.

Em 1904, na Residência e Colégio (em implantação) de Santo Inácio, ele acumula funções que mostram confiança institucional: é cronista da história da casa, redator em periódico do Sagrado Coração de Jesus, pregador e confessor. Em 1º de novembro de 1904, torna-se coadjutor espiritual,

Entre os anos 1905 e 1907 mora na Residência de Santos (SP) e atua no Santuário Sagrado Coraçção de Jesus como prefeito espiritual e da biblioteca, cronista, confessor e operário, sendo aquele religioso “de bastidor” que garante que as coisas funcionem: biblioteca em ordem, rotina espiritual sustentada, memória da casa escrita, gente atendida.

Em 1908, de volta ao Colégio Santo Inácio, seu trabalho muda de eixo: ele fica responsável pela enfermaria/saúde, cuidando dos doentes. E esse cuidado se prolonga fora do país: entre 1909 e 1915, ele aparece como residente do exterior, na Província Aragonesa, no Seminário Conciliar de Montevidéu (Calle Soriano, Uruguai), sempre com a mesma atribuição de responsável pela enfermaria/saúde. É um trecho da vida de constância, disciplina e uma caridade muito concreta.

Em 1916, retorna ao Brasil e está no Colégio de S. Luiz (Itu) como redator do “Mensageiro do Coração de Jesus” e confessor dos alunos. A partir de 1919, no Colégio Fluminense de Santo Inácio (Rua Ruy Barbosa, 226 – Rio), sua atuação se amplia no apostolado: ele dirige a Congregação Mariana de Nossa Senhora das Vitórias, é diretor espiritual (inclusive de meninas no colégio externo “Sacré Coeur”), trabalha com Mães Cristãs no Colégio Sion, e continua firme como confessor, operário e ligado à biblioteca. Entre 1921 e 1922, aparece como confessor da comunidade, revisor/encarregado da biblioteca e censor de livros — função sensível, típica de quem era visto como criterioso e confiável. Em 1923, soma a isso a assistência religiosa aos militares; em 1924, é também moderador da Congregação Mariana de jovens Nossa Senhora das Vitórias.

O retrato público que a imprensa faz dele perto do fim é eloquente: um jornal o chama de “notável orador sacro”, relembra que ele estudou em Roma, que recebeu doutorado em filosofia, e chega a destacá-lo como o primeiro brasileiro mencionado como integrante do corpo docente do Collegio Pio Americano de Roma, onde lecionou por algum tempo. A mesma nota afirma que, no Rio, era enorme o círculo de admiradores e cita a admiração de Ruy Barbosa, além de sua direção na Congregação Mariana de Moços do Colégio de S. Inácio.

Padre Américo de Novaes faleceu no Rio de Janeiro em 5 de junho de 1924, encerrando uma trajetória em que estudo, ensino, escrita, direção espiritual e serviço prático caminharam juntos, e em que a marca mais repetida, de ponta a ponta, é a disponibilidade: para formar, para orientar, para atender, para organizar, para cuidar.

Funções no Santuário Sagrado Coração de Jesus por ano

1905

Prefeito espiritual e da biblioteca; Cronista da história da casa; Confessor no templo e à porta; Operário.

1906

Prefeito espiritual e da biblioteca; Cronista da história da casa; Confessor no templo e à porta; Operário.

1907

Prefeito espiritual e da biblioteca; Cronista da história da casa; Confessor no templo e à porta; Operário.