Foto de Pe. Célestin Dordis

Ficha individual

Pe. Célestin Dordis

Dordis Caelestinus

Sacerdote

Biografia

Celéstin Dordis foi um sacerdote jesuíta francês, nascido em Montgaillard (H-Pyrénées) em 06/04/1882, cuja vida, tal como se deixa acompanhar nos registros anuais da Companhia de Jesus, transcorreu entre a formação intelectual em Roma, o magistério em colégios no Brasil e uma longa dedicação ao trabalho pastoral cotidiano, especialmente a pregação, a catequese e, de modo muito constante, o ministério das confissões, associada a encargos internos de governo e organização das casas onde serviu. Ingressou na Companhia de Jesus em 12 de novembro de 1898 e aparece nos primeiros anos do século XX entre os noviços escolásticos da Província Romana. Em 1902, já como aluno de retórica, exercia catequese na paróquia. Entre 1903 e 1905, estudou Filosofia no ambiente do Colégio Romano e da Pontifícia Universidade Gregoriana, cursando sucessivamente o primeiro, o segundo e o terceiro anos; nesse mesmo período, continuou a catequese, registrada em 1905 em São Marcos.

A partir de 1906, Dordis é enviado ao Brasil, para o Colégio Anchieta de Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, iniciando o ciclo de magistério característico da formação jesuítica. Ali acumulou funções de disciplina interna e ensino. Foi prefeito responsável pela vida dos internos e pelo regime do alojamento e também substituto de prefeito e de mestres. Nos anos seguintes, além da prefeitura do contubernium, lecionou aritmética, álgebra, matemática e francês em séries e seções elementares, mantendo atividades de catequese paralelamente. Em 1910 e 1911 passou a atuar na Escola Apostólica Ituense, em Itu, São Paulo, anexa ao colégio e dedicada à Sagrada Família, onde ensinou grego, latim e matemática, com os catálogos assinalando a continuidade de seus anos de magistério.

Em 1912, Dordis aparece como auditor de teologia no primeiro ano, ligado à residência e colégio em formação de Santo Inácio no Rio de Janeiro, onde ainda desempenhava docência de geografia e catequese no nível elementar; naquele mesmo momento é indicado como estando em Roma. Em 1913 cursava o segundo ano de teologia, com registro de visita médica e exames; em 1914 estava no terceiro ano e em 1915 no quarto, já identificado como padre. Em 1916 figura entre os recém-chegados à missão, marco documental de sua inserção efetiva no trabalho apostólico regular no Brasil.

A partir de 1919, Dordis é associado à Residência de Santos e ao Santuário Sagrado Coração de Jesus, no litoral paulista, e sua rotina pastoral aparece com nitidez: pregava por turnos e atuava como confessor no Ginásio Santista, no templo e “à porta”, isto é, no atendimento espiritual ligado ao fluxo cotidiano de fiéis, além de ser descrito como operário, termo que sintetiza a prestação de serviços pastorais gerais. Esse padrão se repete de 1919 a 1922, com a pregação dominical alternada e a constância das confissões. Em 1923, sem abandonar o núcleo pastoral, assume funções internas de maior responsabilidade: torna-se ministro e procurador, encarregado também de recolher elementos para as Cartas Anuais, e aparece como consultor da casa, enquanto continua a pregar e a confessar no Ginásio, no templo e à porta. Em 1924 e 1925 permanece ministro e procurador, mantém a pregação por turnos e as confissões, e continua consultor. Em 1926, além de ministro e procurador, acrescenta-se um conjunto de tarefas voltadas à formação interna: Dordis é catequista dos irmãos coadjutores e explicador de suas meditações, mantendo o serviço de confessor no templo e à porta e o trabalho pastoral geral.

Em 1927, Dordis vai para Itu, à Residência do Bom Jesus. Ali seu perfil aparece como o de um organizador de obras de piedade e de um servidor constante da vida interna: é vice-diretor do Apostolado da Oração, da Cruzada e da catequese para meninos e meninas; pregador no templo por turnos; prefeito da biblioteca e leitor à mesa; capelão por turnos junto às monjas; confessor da casa no templo e à porta; além de operário e consultor. Em 1929, ainda em Itu, o conjunto se amplia com funções de admonitor e de presidente do colégio de casos, mantendo a vice-direção das associações, a catequese, a pregação por turnos, as confissões e a prefeitura da biblioteca. Em 1930 assume explicitamente o eixo administrativo da residência como ministro e procurador, acrescentando a prefeitura da enfermaria e a leitura à mesa, sem abandonar a vice-direção do Apostolado da Oração e da Cruzada Eucarística e o serviço sacramental. Em 1931, além de ministro e procurador, é prefeito da igreja e se torna moderador de congregações e associações juvenis ligadas à devoção mariana e à Cruzada, moderador do Apostolado da Oração para militares e ajudante na moderação da Cruzada Eucarística e da catequese; segue como confessor e pregador por turnos, com o trabalho pastoral geral. Em 1932 e 1933, permanece prefeito da igreja e intensifica a coordenação de congregações, incluindo a Boa Morte, enquanto amplia o circuito das confissões: além do templo e da porta, atende no Colégio de Nossa Senhora do Patrocínio, no Mosteiro de Nossa Senhora das Mercês e em hospital, sem deixar a prefeitura da leitura à mesa e os encargos de consulta interna.

Em 1934, Dordis retorna a Santos e passa a ocupar funções que o colocam no coração do governo espiritual e da memória institucional. É prefeito espiritual, da igreja e da enfermaria; ajudante na moderação da Cruz Eucarística e da catequese; catequista dos irmãos coadjutores; cronista da história da casa; confessor da casa, do templo, da porta e do Ginásio Santista; pregador no templo por turnos; operário e admonitor. Entre 1935 e 1938, o quadro se mantém com uma regularidade impressionante: Dordis é ministro e, simultaneamente, prefeito espiritual, da igreja, da catequese e da enfermaria; catequista dos irmãos; cronista; confessor em todos os pontos habituais; pregador por turnos; operário; admonitor e consultor. Em 1939, continua prefeito espiritual, da igreja e da enfermaria, agora como moderador da catequese e explicador da catequese dos irmãos coadjutores, mantendo a crônica da casa, as confissões, a pregação por turnos, o trabalho pastoral geral, a função de admonitor e a consultoria. Em 1940, permanece prefeito espiritual, da igreja e da enfermaria, moderador da catequese e cronista, além de catequista dos irmãos coadjutores, confessor, pregador por turnos, operário, admonitor e consultor.

Em 1941, Dordis muda-se novamente para a Residência do Bom Jesus, em Itu, reassumindo encargos de organização interna e apostolado: é prefeito da biblioteca e leitor à mesa; moderador da catequese; moderador da Congregação Mariana de moças operárias e de uma seção da Cruzada Eucarística; pregador por turnos; capelão em hospital; confessor em instituições educacionais e religiosas, incluindo o Colégio de Nossa Senhora do Patrocínio e o Colégio Apostólico dos Carmelitas, além das confissões da casa, no templo e à porta; mantém o trabalho pastoral geral e a consultoria. Em 1942, ainda em Itu, é registrado como confessor da casa, no templo e à porta, operário e consultor.

A partir de 1943, Dordis vai para São Paulo, no Ipiranga, ligado ao Colégio e Convento de São Francisco Xavier, no quadro de uma missão intitulada “de São Francisco Xavier entre japoneses no Brasil”. Nesse ambiente escolar, suas funções mantêm a marca da vida inteira: exerce a prefeitura espiritual e da igreja, catequiza os funcionários e dedica-se às confissões no templo e à porta. Em 1944 e 1945 aparece também como confessor dos alunos, além do serviço no templo e à porta. Em 1946 e 1947, continua prefeito espiritual e ligado ao serviço sagrado da casa, atua como exortador dos alunos por turnos, catequista dos funcionários, confessor dos alunos e mantém as confissões no templo e à porta, além do trabalho pastoral geral.

Padre Celestino Dordis faleceu em São Paulo, em 12 de setembro de 1947, encerrando uma trajetória marcada pela constância do serviço espiritual e pela confiança institucional, expressa tanto nos encargos de governo interno de ministro, procurador, consultor, admonitor, prefeito da igreja, da enfermaria e da biblioteca, quanto na continuidade do ministério cotidiano que atravessa seus registros por décadas: formar, orientar, pregar e confessar, ora em colégios e residências, ora em igrejas e instituições associadas, sempre no centro da vida religiosa ordinária das comunidades onde viveu.

Atestado de óbito do Pe. Célestin Dordis

Funções no Santuário Sagrado Coração de Jesus por ano

1919

Pregador da casa por turnos; Confessor no Ginásio Santista, no templo e à porta; Operário.

1920

Pregador dominical por turnos; Confessor no Ginásio Santista, no templo e à porta; Operário.

1921

Pregador dominical por turnos; Confessor no Ginásio Santista, no templo e à porta; Operário.

1922

Pregador dominical por turnos; Confessor no Ginásio Santista, no templo e à porta; Operário.

1923

Ministro; Procurador; Coletor de pontos para as cartas anuais; Pregador dominical por turnos; Confessor no Ginásio “Santista”, no templo e à porta; Operário; Consultor da casa (3º ano).

1924

Ministro; Procurador; Pregador dominical por turnos; Confessor no Ginásio “Santista”, no templo e à porta; Consultor da casa (4º ano); Operário.

1925

Ministro; Procurador; Pregador dominical por turnos; Confessor no Ginásio “Santista”, no templo e à porta; Consultor da casa (6º ano); Operário.

1926

Ministro; Procurador; Pregador no templo por turnos; Catequista dos irmãos coadjutores; Explicador das meditações dos irmãos coadjutores; Confessor no templo e à porta; Operário; Consultor da casa (8º ano).

1934

Prefeito espiritual, da igreja e da enfermaria; Ajudante na moderação da Cruzada Eucarística e da catequese; Catequista dos irmãos coadjutores; Cronista da história da casa; Confessor da casa, no templo, à porta e no Ginásio Santista; Pregador no templo por turnos; Operário; Admonitor.

1935

Ministro; Prefeito espiritual, da igreja, da catequese e da enfermaria; Catequista dos irmãos coadjutores; Cronista da história da casa; Confessor da casa, no templo, à porta e no Ginásio Santista; Pregador no templo por turnos; Operário; Admonitor; Consultor da casa (2º ano).

1936

Ministro; Prefeito espiritual, da igreja, da catequese e da enfermaria; Catequista dos irmãos coadjutores; Cronista da história da casa; Confessor da casa, no templo, à porta e no Ginásio Santista; Pregador no templo por turnos; Operário; Admonitor; Consultor da casa (3º ano).

1937

Ministro; Prefeito espiritual, da igreja, da catequese e da enfermaria; Catequista dos irmãos coadjutores; Cronista da história da casa; Confessor da casa, no templo, à porta e no Ginásio Santista; Pregador no templo por turnos; Operário; Admonitor; Consultor da casa (4º ano).

1938

Ministro; Prefeito espiritual, da igreja, da catequese e da enfermaria; Catequista dos irmãos coadjutores; Cronista da história da casa; Confessor da casa, no templo, à porta e no Ginásio Santista; Pregador no templo por turnos; Operário; Admonitor; Consultor da casa (5º ano).

1939

Prefeito espiritual, da igreja e da enfermaria; Moderador da catequese; Explicador da catequese dos irmãos coadjutores; Cronista da história da casa; Confessor da casa, no templo, à porta e no Ginásio Santista; Pregador no templo por turnos; Operário; Admonitor; Consultor da casa (6º ano).

1940

Prefeito espiritual, da igreja e da enfermaria; Moderador da catequese; Cronista da história da casa; Catequista dos irmãos coadjutores; Confessor da casa, no templo, à porta e no Ginásio Santista; Pregador no templo por turnos; Operário; Admonitor; Consultor da casa (7º ano).